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Encontro com as diferenças

"Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada pelos demais." (Eduardo Galeano, Livro dos Abraços)

"Quanto tempo falta? Já chegamos? Falta muito?" Foi o que mais ouvíamos na ida para São Paulo. Ansiedade. O que será que vamos encontrar? Na teoria eles imaginavam, na prática eles se surpreenderam.

A imaginação foi o que os levou até ali, naquele momento, naquela viagem. Finalmente eles podiam ver e tocar no que antes era somente imaginável.

Ao chegar as perguntas mudaram, a curiosidade e o encantamento tomaram conta. Como fizeram essas placas tão grandes? Esta é a Cordilheira dos Andes? Aqui é o México? Por que a mão parece que está sangrando? Os imigrantes usavam essas camas? Para onde nós vamos no trem? E a imaginação, para onde foi?

A imaginação ganhou vida. A fantasia virou realidade. Finalmente puderam ouvir as palavras árabes. Conversar com a Razan e o Mohamed enquanto comiam esfirra, kibe e burma(doce que fez sucesso). Partilhar.

Ouvir o casal de refugiados da Síria foi algo que afetou a todos. As crianças nem piscavam e víamos em seus rostos o quanto estavam surpresos com tudo o que ouviam. Envolveram-se com este momento de forma verdadeira, fizeram perguntas contextualizadas e se entristeceram com a realidade da guerra...

Mas se alegraram logo ao saber que em nosso país, mesmo com os problemas sociais enfrentados, esses povos encontram abrigo e esperança. Que é possível ressignificar a vida, permanecer com seus costumes, sua cultura. Como disse Razan – "Sou uma muçulmana que mora no Brasil". Então, neste momento um olhar de pertencimento lançou-se no rosto de cada um.

O desafio: como despertar nas crianças este olhar?

Levando-os a conhecer nossas origens, saber de onde viemos, quais os povos que fazem parte da formação do povo brasileiro. Vivenciar experiências que outras gerações viveram, experimentar sentimentos que outros experimentaram, sentir sabores de outros povos, pois no Brasil, a diversidade é visível, uma vez que a nossa identidade, desde a colonização de nossas terras, foi construída a partir da mistura de povos: índios, japoneses, portugueses, espanhóis, italianos, sírios e libaneses.

Este é o nosso país, esta é a nossa história. Conhecer tudo isso nos leva a desenvolver o sentimento de pertencimento, dá voz fundamental à vida. Aqui na Criativa Idade as crianças têm esta oportunidade. Oportunidade de troca, de ouvir e falar sobre humanidade.

Por Paula Azevedo e Ana Cláudia Almeida

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